Análises

Cenário Econômico - Agosto 2016

Mirella Sampaio

Economista da Itaú Asset Management

Resumo da análise:

Na China, as últimas semanas contaram com a divulgação de dados de atividade melhores do que...

Versão Texto Versão Podcast

Cenário Econômico - Agosto 2016

Mirella Sampaio

Economista da Itaú Asset Management



Na China, as últimas semanas contaram com a divulgação de dados de atividade melhores do que o esperado pelo mercado, que refletem em larga medida o efeito das medidas de estímulo que foram anunciadas ao longo dos últimos trimestres. A nosso ver, as notícias recentes não mudam o cenário de desaceleração gradual da atividade chinesa.

Na Zona do Euro, as atenções seguiram centradas no Reino Unido (RU) e no sue processo de desvinculação da União Europeia. Ao que tudo indica, o impacto negativo deste evento deverá ser sentido de forma mais intensa no próprio Reino Unido, o que se refletiu em revisões negativas para a atividade nas projeções do Banco Central da Inglaterra.

Nos Estados Unidos, os integrantes do Comitê de Política Monetária do Banco Central (FOMC) admitiram em seu comunicado oficial que os riscos para a atividade doméstica se reduziram. Levando em consideração as informações mais recentes, nossas projeções para a taxa de juros definida pelo Banco Central (Federal Reserve) contemplam o anúncio de uma alta de 0,25% nesse ano.

De uma forma geral, iniciamos o mês de agosto de posse de dados que mostram uma melhora da confiança de empresários e consumidores no Brasil, sugerindo que o pior momento do atual ciclo está sendo gradualmente superado. No entanto, os dados reais da economia brasileira indicam que ainda há um longo caminho a ser percorrido para vislumbrarmos uma recuperação consistente da atividade.

Em respeito à inflação, mesmo levando em consideração a existência de alguns choques de oferta no curto prazo, seguimos confiantes com a tese de desaceleração gradual e consistente da inflação. Em nosso cenário base, trabalhamos com expansões do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de pouco mais de 7,0% em 2016, e cerca de 5,0% em 2017.

Ainda que tal dinâmica que não mostre a desejada convergência para o centro da meta no próximo ano, seguimos confortáveis com nossa projeção de redução da taxa de juros em 2016. Tudo considerado, mantemos em nosso cenário base uma trajetória que contempla um ciclo total cortes de 475 pontos base (pb) na taxa básica de juros brasileira, com a Selic encerrando este ano em 13,25%, e o próximo ano em 9,50%.