Análises

Cenário Econômico - Janeiro 2016

Mirella Sampaio

Economista da Itaú Asset Management

Resumo da análise:

Começando pelos Estados Unidos, o Banco Central elevou os níveis do corredor da taxa de juros em 0,25% ao ano em dezembro de 2015, na primeira elevação da taxa de juros

Versão Texto Versão Podcast

Cenário Econômico - Janeiro 2016

Mirella Sampaio

Economista da Itaú Asset Management



Olá, meu nome é Mirella Sampaio, sou economista da Itau Asset Management, e nos próximos minutos vamos comentar o cenário macroeconômico internacional e nacional.

Começando pelos Estados Unidos, o Banco Central elevou os níveis do corredor da taxa de juros em 0,25% ao ano em dezembro de 2015, na primeira elevação da taxa de juros desde 2006. Cabe ressaltar que a presidente da instituição, Janet Yellen, enfatizou que o processo de aperto da política monetária será gradual, pautado pela evolução dos dados – especialmente daqueles que refletem a dinâmica de preços.  Refletindo tal consideração, esperamos que o comitê anuncie ao longo de 2016 outros três aumentos de 25 pontos base.

Na Zona do Euro, os resultados eleitorais recentes confirmaram a expectativa de fortalecimento de partidos de oposição, de forma que os desafios de coordenação política devem seguir em pauta ao longo de 2016. No que diz respeito à política monetária, o Banco Central Europeu (BCE) aprovou a alteração dos parâmetros que regem o atual programa de compra de ativos e cortou a taxa de juros. Apesar de fortalecer o viés acomodatício da politica monetária, o conjunto de medidas anunciadas não foi suficiente para fazer jus às expectativas do mercado, e novas medidas poderão ser divulgadas ao longo de 2016.

Na China, a inclusão do renmimbi na cesta de moedas do Fundo Monetário Internacional (FMI) se manteve em destaque ao longo de dezembro, em um acontecimento que não deve gerar grandes impactos em termos de fluxos cambiais. No que diz respeito aos dados mais recentes, o cenário mostrou-se um pouco mais benigno do que o registrado nos meses anteriores, tanto para atividade quanto para inflação. Em todo caso, esperamos que a atividade chinesa apresente uma desaceleração gradual ao longo de 2016.

No Brasil, os indicadores macroeconômicos divulgados no final de 2015 se mantiveram alinhados com suas tendências recentes, marcadas pela forte deterioração dos indicadores do mercado de trabalho, aceleração da inflação e taxas negativas para os indicadores relacionados à atividade doméstica.  Diante de tais notícias, a disposição dos agentes para investir e consumir deve seguir deprimida nos próximos trimestres. Refletindo esse cenário, esperamos que o Produto Interno Bruto (PIB) apresente uma retração de 3,4% em 2016, após uma queda esperada de 3,7% em 2015.

A nosso ver, a dinâmica de preços deve seguir pressionada no curto prazo. No entanto, altas mais moderadas dos preços administrados e a redução das taxas de inflação de serviços e alimentos deverão contribuir para uma desaceleração do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ao longo de 2016. Com isso, devemos encerrar este ano com uma variação anual dos preços em torno de 6,7% – uma desaceleração relevante frente aos mais de 10,0% registrados em 2015, mas ainda acima do teto da meta perseguida pelo Banco Central.

Confrontado por uma situação complexa, que inclui balanço de riscos desfavorável para a inflação e atividade deprimida, avaliamos que o Banco Central do Brasil (BCB) ainda se depara com um dilema na condução da política monetária. Tendo em vista o conjunto de informações disponíveis até o momento, esperamos que a autoridade monetária retome o ciclo de alta da taxa de juros, com duas elevações de 50 pontos-base (bps), a serem distribuídos no primeiro trimestre de 2016. Além disso, nosso cenário base contempla cortes na taxa Selic equivalentes aos aumentos esperados para o primeiro trimestre, de forma que a taxa de juros deverá encerrar 2016 no mesmo nível vigente no final de 2015.

Muito obrigada pela atenção e até a próxima.

Disclaimer

O Cenário Econômico Mensal é uma publicação da Itaú Asset Management. A Itaú Asset Management é o segmento do Itaú Unibanco especializado em gestão de recursos de clientes. As informações contidas nesta publicação foram produzidas dentro das condições atuais de mercado e da conjuntura e refletem uma interpretação do Itaú Unibanco, podendo ser alteradas a qualquer momento sem aviso prévio. Esta publicação possui caráter meramente informativo e não reflete oferta ou recomendação de investimento de nenhum produto específico. Para análise de produtos específicos oferecidos pelo Itaú Unibanco, consulte seu gerente para maior detalhamento e informações completas acerca de suas peculiaridades e riscos. O Itaú Unibanco não se responsabiliza por decisões de investimento tomadas com base nos dados aqui divulgados.