Análises

Cenário Econômico - Março 2017

Mirella Sampaio

Economista da Itaú Asset Management

Resumo da análise:

Olá, sou Mirella Sampaio, economista da Itau Asset Management, e nos próximos minutos vou comentar o cenário macroeconômico internacional e nacional.

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Cenário Econômico - Março 2017

Mirella Sampaio

Economista da Itaú Asset Management



Olá, sou Mirella Sampaio, economista da Itau Asset Management, e nos próximos minutos vou comentar o cenário macroeconômico internacional e nacional.

Na China, o governo central anunciou as metas oficiais para o ano de 2017, incluindo crescimento ao redor de 6,5% e inflação de 3,0% ao ano. Em linha com a comunicação recente, o governo continuou a indicar preocupação com os riscos financeiros, sugerindo um viés de aperto marginal das condições monetárias no médio prazo.

Na Zona do Euro, o fluxo de dados divulgados nas últimas semanas foi bastante positivo, e incluiu uma revisão para as projeções de crescimento da Comissão Europeia. Segundo a instituição, a economia do bloco europeu deverá crescer 1,5% em 2017. Assim como exposto pela Comissão, avaliamos que os principais riscos para o cenário são associados ao ambiente político na Europa, que terá entre seus principais destaques as eleições na França e na Alemanha.

Nos Estados Unidos, acompanhamos a publicação de indicadores favoráveis e uma mudança na comunicação dos integrantes do Comitê de Política Monetária do Banco Central, o Federal Reserve. Confrontados com um dinâmica benigna para a atividade, e indicadores consistentes com o seu mandato, esperamos que o Banco Central anuncie três elevações da taxa de juros ao longo de 2017.

No Brasil, nos deparamos com notícias que abrem espaço para um maior otimismo. O avanço das reformas estruturais no Congresso tem contribuído para uma redução da percepção de risco, o que, por sua vez, tem influenciado positivamente a taxa de câmbio e a confiança dos agentes econômicos. Enquanto isso, a redução do risco inflacionário manteve as expectativas para o IPCA ancoradas, assegurando o espaço para a redução da taxa de juros.  
Se até então esperávamos uma retração do Produto Interno Bruto (PIB), agora passamos a projetar uma expansão marginal da atividade em 2017, de 0,2%. Para 2018 as perspectivas são ainda mais favoráveis, de modo que esperamos um crescimento vigoroso, superior a 3,0%. Em respeito à dinâmica de preços, esperamos que o IPCA encerre 2017 e 2018 abaixo do centro da meta perseguida pelo Banco Central do Brasil, com expansões anuais inferiores a 4,0% em ambos os anos.

A trajetória mais benigna para os índices de preços é bem vinda já que abre ainda mais espaço para uma distensão da política monetária. Em fevereiro, o COPOM (Comitê de Política Monetária) anunciou o quarto corte consecutivo da taxa Selic, levando-a para 12,25% ao ano. Mais importante do que o movimento em si foram as mensagens trazidas no comunicado divulgado após a decisão, que reforçaram a tese de Selic em um dígito ao final de 2017. Diante das informações mais recentes, revisamos nosso cenário de modo a contemplar uma taxa de juros de 8,5% ao ano no final do atual ciclo de afrouxamentos das condições monetárias.
 

Muito obrigada e até a próxima.