Análises

Cenário Econômico - Maio 2017

Mirella Sampaio

Economista da Itaú Asset Management

Resumo da análise:

Olá, sou Mirella Sampaio, economista da Itau Asset Management, e nos próximos minutos vou comentar o cenário macroeconômico internacional e nacional.

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Cenário Econômico - Maio 2017

Mirella Sampaio

Economista da Itaú Asset Management



Olá, sou Mirella Sampaio, economista da Itau Asset Management, e nos próximos minutos vou comentar o cenário macroeconômico internacional e nacional.

Na China, os dados publicados nas últimas semanas confirmaram que o país registrou um forte ritmo de crescimento no primeiro trimestre. A economia chinesa expandiu 6,9% entre o início de 2016 e o mesmo período de 2017. A nosso ver, ocorrerá uma desaceleração gradual da atividade ao longo deste ano, de modo que as informações recentes não mudam nossa expectativa de crescimento para 2017, que segue em 6,5%.

Na Zona do Euro, o Banco Central Europeu (BCE) ressaltou seu desconforto com o balanço de riscos para a inflação em seu último comunicado oficial. Em um tom mais otimista, o documento também revela que os indicadores de atividade têm sido mais favoráveis. A nosso ver, esse cenário fortalece a tese de que discussões sobre uma mudança na condução da política monetária deverão ganhar força nos próximos meses.

Nos Estados Unidos, seguimos acompanhando uma forte discrepância entre o cenário sugerido pelos índices de confiança e pelos indicadores efetivos. Um exemplo disso foi o crescimento de 0,7% no primeiro trimestre, que frustrou as expectativas do mercado e revelou um ritmo menos intenso para o consumo doméstico do que o sugerido pelos índices de confiança. Por ora, mantemos nossa projeção de expansão do PIB norte-americano de 1,9% para este ano.

No Brasil, os dados parecem sugerir que estamos em marcha para sair da maior recessão de nossa história. Entre o pico e o vale da série de PIB houve uma queda sem precedentes, da ordem de 8%. Os sinais mais recentes, no entanto, são mais animadores. Levando em consideração a combinação de uma super safra agrícola, uma melhora da atividade industrial e uma tênue recuperação do setor de serviços no primeiro trimestre de 2017, julgamos ser necessário revisar nossas expectativas de crescimento. Para 2017, antevemos expansão da atividade de 0,9%, enquanto para 2018 seguimos esperando crescimento superior a 3,0%.

Do ponto de vista da inflação, avaliamos que as perspectivas continuam benignas no curto e no médio prazo. Mesmo com a elevação dos preços de energia e algumas surpresas pontuais nos índices de inflação, as expectativas inflacionárias seguem bem ancoradas. Desta forma, não identificamos razões para revisar nosso cenário base para o IPCA, que deverá encerrar tanto 2017 quanto 2018 abaixo de 4,0%. Além disso, mantemos a avaliação de que a taxa de juros encerrará o atual ciclo em um dígito, alcançando o patamar de 8,25% ao ano até o final de 2017.