Análises

Cenário Econômico - Outubro 2016

Mirella Sampaio

Economista da Itaú Asset Management

Resumo da análise:

Na China, a atividade econômica tem se mostrado mais forte do que o esperado no terceiro...

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Cenário Econômico - Outubro 2016

Mirella Sampaio

Economista da Itaú Asset Management



Na China, a atividade econômica tem se mostrado mais forte do que o esperado no terceiro trimestre. Apesar da melhora no curto prazo, os desafios de médio prazo continuam presentes. Tudo considerado, mantemos a avaliação de que a economia chinesa apresentará uma desaceleração gradual nos próximos anos.

Na Zona do Euro, mesmo com um alto nível de acomodação da política monetária, a recuperação da atividade tem tido um ritmo moderado. Confrontado com um cenário que também contempla um nível de inflação muito baixo, esperamos que o Comitê Executivo do Banco Central Europeu (BCE) reitere seu compromisso com o mandato de estabilidade de preços em suas próximas reuniões.

Nos Estados Unidos, os documentos publicados recentemente pelo Banco Central, o Federal Reserve, indicam que o processo de normalização da política monetária levará mais tempo do que anteriormente indicado. Refletindo este e outros fatores, esperamos que a taxa de juros seja elevada somente uma vez em 2016, e duas vezes ao longo de 2017.

No Brasil, mês após mês o mercado tem se deparado com informações que deixam claro o delicado estado em que a economia brasileira se encontra. Recentemente, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) confirmou que o Produto Interno Bruto (PIB) encolheu 0,6% entre o primeiro e o segundo trimestres de 2016 – o nono trimestre consecutivo de retração da atividade doméstica. Ainda que os dados tenham revelado algumas notícias benignas, tais como a primeira expansão do investimento desde 2013, as informações não são animadoras para o curto prazo.

Levando em consideração fatores como a política fiscal, a confiança dos agentes econômicos e os indicadores de atividade corrente do IBGE, esperamos que o PIB contraia 3,3% em termos reais em 2016, e apresente uma expansão moderada de 0,9% em 2017, pavimentando o caminho para uma elevação mais robusta a partir de 2018.

Apesar de não vislumbrarmos a existência de impulsos positivos associados aos fatores supracitados, esperamos que um importante impulso surja a partir da condução da política monetária. Após muitos anos de uma combinação de política fiscal expansionista e política monetária contracionista, a combinação de um ajuste fiscal e início de um ciclo agressivo de corte da taxa de juros fará com que a situação contrária dê o tom dos próximos anos. Isso será possível por conta da desaceleração do ritmo de expansão dos preços, que de acordo com o Relatório de Inflação (RI) do Banco Central do Brasil (BCB), acontecerá ao longo dos próximos trimestres.

A nosso ver, a trajetória da taxa de juros deverá contemplar um orçamento de cortes da ordem de 525 pontos base (pb) na taxa básica de juros entre este e o próximo ano, com a Selic encerrando 2016 em 13,5%, e 2017 em 9,0%.