Análises

Cenário Econômico - Fevereiro 2017

Mirella Sampaio

Economista da Itaú Asset Management

Resumo da análise:

Olá, sou Mirella Sampaio, economista da Itaú Asset Management, e nos próximos minutos vou comentar o cenário macroeconômico internacional e nacional.

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Cenário Econômico - Fevereiro 2017

Mirella Sampaio

Economista da Itaú Asset Management



Olá, sou Mirella Sampaio, economista da Itaú Asset Management, e nos próximos minutos vou comentar o cenário macroeconômico internacional e nacional.

Na China, o PIB do quarto trimestre de 2016 surpreendeu positivamente, indicando um crescimento de 6,8% na comparação anual. Apesar do alto nível de confiança dos agentes econômicos, que seguem consistentes com um crescimento superior à meta de 6,5%, esperamos desaceleração gradual do crescimento chinês ao longo dos próximos trimestres.

Na Zona do Euro, o fluxo de notícias segue concentrado nos acontecimentos políticos da região, em especial naqueles associados ao Reino Unido, à Alemanha e à França. Haja vista o alto grau de incerteza, esperamos que as implicações das disputas políticas regionais dominem a atenção dos investidores até o segundo trimestre. 

Nos Estados Unidos, os dados do quarto trimestre indicaram um ritmo de crescimento aquém do esperado pelo mercado. A expansão de 1,9% do PIB, no entanto, contou com números positivos para o consumo das famílias e para o investimento. Tudo considerado, esperamos que a economia norte-americana cresça 2,0% em 2017 – um crescimento que deverá ser acompanhado por uma aceleração inflacionária e por uma normalização gradual da política monetária.

Por fim, é justo dizer que os últimos dados da economia brasileira foram mistos. Pelo lado otimista, identificamos uma melhora dos indicadores de crédito e dos índices de confiança de diferentes setores. Contra essa visão mais benigna, no entanto, nos deparamos com dados sugerindo forte contração da atividade no quarto trimestre de 2016, a persistência de uma ampla capacidade ociosa e um cenário fiscal desafiador. 

Conforme dito em nossos últimos vídeos, seguimos desconfortáveis com a expectativa de recuperação célere da economia brasileira. Pelo contrário, julgamos que a melhora tímida de indicadores correlacionados com as principais fontes de impulso da economia reforçam os riscos de contração da atividade em 2017. Caso nossas projeções estejam corretas, o PIB brasileiro registrará uma contração de 0,4% em 2017, a ser seguido de um crescimento de 2,5% em 2018.

A situação dramática vista nos indicadores de atividade ao longo dos últimos trimestres também se fez notar na dinâmica de preços ao consumidor. A partir da incorporação dos resultados mais recentes, e de novas premissas em respeito à inércia inflacionária, esperamos que o IPCA encerre 2017 com expansão anual da ordem de 4,4% em 2017 e 4,0% em 2018.

Vale ressaltar que tais projeções já refletem a intensificação do ciclo de cortes da taxa de juros vista na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de janeiro, além de um ciclo total superior ao indicado no Relatório Focus. Atualmente trabalhamos com a taxa de juros em 9,0% no final de 2017, antevendo manutenção da mesma nesse patamar ao longo de 2018. Vale ressaltar que os riscos para essa projeção são assimétricos. Na ausência de choques, admitimos que a probabilidade a Selic ser inferior à 9,0% no final do atual ciclo cresceu nas últimas semanas.

Muito obrigada pela atenção e até a próxima.