Análises

Cenário Econômico - Março 2015

Cristiane Alkmin J. Schmidt

Economista da Itaú Asset Management

Resumo da análise:

Os indicadores de 2015 seguem decepcionantes e o risco de racionamento de água e energia persiste

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Cenário Econômico - Março 2015

Cristiane Alkmin J. Schmidt

Economista da Itaú Asset Management



Brasil

Apesar de já estarmos no terceiro mês do novo ano, os indicadores de 2015, até o momento, seguem decepcionantes e o risco de racionamento de água e energia persiste. Mesmo considerando-se este cenário desfavorável, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, continua confiante quanto a conquistar a meta (de 1,2% do PIB ou R$ 66 bilhões) do resultado primário das contas públicas em 2015.

Joaquim Levy é conhecido por solucionar problemas relativos á finanças públicas. Seus discursos para investidores tanto no exterior quanto no país, embora otimistas quanto ao futuro do país, têm sido realistas e pragmáticos em relação à conjuntura atual. Sem negar os problemas atuais, distorcer números ou traçar prognósticos incoerentes, ele mostrou seu compromisso no cumprimento da meta fiscal estabelecida. A sinalização foi bem aceita pelo mercado, embora haja ceticismo por parte de alguns analistas com respeito à factibilidade em alcançá-la, devido à conjuntura mais desafiadora daquela observada em dezembro de 2014, quando ele entrou no Ministério e anunciou ditas metas (de 2015 a 2017).

Para a agência de risco Standard & Poors (S&P), por exemplo, o ponto nevrálgico de um downgrade do risco soberano do Brasil refere-se às finanças públicas. Neste sentido, preocupa a agência a situação da Petrobras, e acende-se um alerta sobre o impacto de um racionamento de água e energia sobre a atividade. Afinal, um país que cresce pouco também arrecada pouco. Além disso, se houver mais desemprego, como é o cenário previsto diante de uma economia mais desaquecida, os benefícios sociais terão que ser ampliados.

As confianças do consumidor e a do empresário, por estes fatos, não poderiam melhorar. Seguem baixas e sem perspectiva (ainda) de ascensão. Isto não quer dizer, por sua vez, que o governo não esteja na direção correta. Restabelecer a confiança dos agentes requer paciência e o ano está apenas começando. Traz inquietude a situação de se ter um congresso mais arredio às propostas do governo e uma oposição mais ferrenha. As negociações políticas, por isso, já tomam espaço nas agendas da presidente e do ministro da Fazenda. Convencer o presidente da câmara, Eduardo Cunha, a votar medidas impopulares (mas necessárias) passou a ser prioritário. Há muitos assuntos pendentes como benefícios trabalhistas e previdenciários, que precisam entrar para a pauta de discussão do congresso o quanto antes, para garantir os 1,2% do PIB. Como as negociações estão apenas começando, resta esperar.

Alguns dados específicos vieram confirmar o cenário: de um lado, as vendas no setor de serviços seguiram decrescentes, com as montadoras demitindo e utilizando cada vez menos a sua capacidade instalada. Por outro lado, a inflação acumulada em 12 meses segue elevada, na casa dos 7,5% a.a., as tarifas de energia com perspectivas de elevação e o salário de admissão, cada vez menor.

Os dados de fevereiro são apenas uma amostra das dificuldades que os brasileiros enfrentarão neste ano. As condições são, de fato, adversas. Ainda que este mês de março não pareça ser de grandes mudanças, é possível que no final do ano tenhamos uma dinâmica melhor sobre as variáveis macroeconômicas.

Internacional

Os dados de fevereiro reforçam a tese de que as assimetrias de políticas monetárias ao redor do mundo seguem ocorrendo, pressionando ainda mais pela valorização do dólar. Além disso, a inflação baixa parece ser mais duradoura do que se esperava em 2014.

Os EUA seguem crescendo firme. Mesmo com a criação de empregos ao mês em mais de 330 mil pessoas (média nos últimos 3 meses até fevereiro), com a taxa de desemprego em 5,6% e com crédito crescente, o país  segue com inflação baixa, em 0,8%. Na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central Norte Americano (FOMC) mostrou-se menos propenso a subir os juros no curto prazo em junho, deixando as portas abertas para setembro. A presidente do Banco Central Americano Janet Yellen, em seu discurso em 24/03, deu a mesma mensagem. Esta possibilidade pode ser explicada não só pela inflação, que segue resilientemente baixa, mas pela valorização do dólar e pela desaceleração da economia mundial.

A Zona do Euro, por sua vez, apesar de seus problemas estruturais, apresenta melhora na atividade, ainda que a inflação tenha se mantido em campo deflacionário. Mario Draghi,presidente do BCE, iniciará o programa de expansão monetária de € 1,14 trilhão (€ 60 bilhões ao mês) em março de 2014 para atacar os problemas conjunturais (estimular a economia e a inflação). A incerteza que surgiu neste começo de ano deve-se à Grécia. Com novo partido no poder – o qual é contra a austeridade –, o país terá agora a extensão do programa de empréstimos junto a Troika (Comissão Europeia, FMI e BCE) por mais quatro meses. Apesar do acordo provisório, os credores continuam exigindo compromissos mais rigorosos.

Do outro lado do globo, tem-se Japão e China. O primeiro cresceu 0,04% em 2014, sobretudo pelo consumo e investimento mais fracos. O segundo, por sua vez, cresceu 7,4%. Apesar de um crescimento invejável se comparado com o do Japão, este último segue com viés decrescente. Ambos devem alcançar crescimentos ao redor de 1% e 7%, respectivamente, em 2015, com a hipótese de que sigam com políticas expansionistas.

Disclaimer

O Cenário Econômico Mensal é uma publicação da Itaú Asset Management. A Itaú Asset Management é o segmento do Itaú Unibanco especializado em gestão de recursos de clientes. As informações contidas nesta publicação foram produzidas dentro das condições atuais de mercado e da conjuntura e refletem uma interpretação do Itaú Unibanco, podendo ser alteradas a qualquer momento sem aviso prévio. Esta publicação possui caráter meramente informativo e não reflete oferta ou recomendação de investimento de nenhum produto específico. Para análise de produtos específicos oferecidos pelo Itaú Unibanco, consulte seu gerente para maior detalhamento e informações completas acerca de suas peculiaridades e riscos. O Itaú Unibanco não se responsabiliza por decisões de investimento tomadas com base nos dados aqui divulgados.