Análises

Cenário Econômico - Abril 2015

Cristiane Alkmin J. Schmidt

Economista da Itaú Asset Management

Resumo da análise:

Agência de classificação de risco mantém Brasil como estável,

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Cenário Econômico - Abril 2015

Cristiane Alkmin J. Schmidt

Economista da Itaú Asset Management



Brasil


Apesar do mês de março ter sido marcado por uma deterioração nas perspectivas em algumas variáveis macroeconômicas importantes da economia brasileira, a agência de classificação de risco Standard & Poor´s (S&P) manteve a classificação de risco do país como estável, evitando um temido rebaixamento. Essa decisão é resultado das medidas fiscais que vem sendo implementadas pelo governo brasileiro sob o comando do ministro da fazenda Joaquim Levy. Isto não significa que 2015 será melhor, pois o cenário segue desafiador.

A inflação continua persistente ao redor de 7,5% ao ano, em grande parte devido ao forte aumento dos preços administrados (aumentos anuais de cerca de 9,5%), e à maior pressão cambial, consequência da desvalorização do real frente ao dólar. Não menos importante, o ciclo monetário segue de aperto, com previsão de que a taxa Selic-meta alcance 13,50% no final do ano.

A taxa de câmbio teve que se depreciar de forma mais acelerada, por conta do fortalecimento do dólar no mundo, pelos elevados vencimentos de dívida externa, pelas condições piores para o financiamento do déficit em conta corrente e pelo cenário político mais complexo. Será possível observar um overshooting da taxa de câmbio ao longo do ano, pois as incertezas no ambiente político não estão diminuindo, mas essa deve recuar para 3,00 R$/US$ ao final de 2015. Em 2016, esperamos que o câmbio alcance 3,20 R$/US$.

A atividade econômica, por sua vez, continua deteriorando. Os índices de confiança dos agentes econômicos (consumidor e empresários de todos os grandes setores da economia) seguem decrescentes e o estoque da indústria crescente. No varejo, as vendas de veículos, em particular, estão contraindo continuamente, fazendo com que as montadoras estejam utilizando apenas 54% da capacidade instalada.

Ainda assim, conseguir 1,2% do PIB pode ser mais difícil do que parece à primeira vista. Mesmo o Ministro Levy tendo anunciado ajustes que alcançam R$ 114 bilhões, dos quais apenas R$ 24 bilhões precisam ser aprovados pelo Congresso, há aspectos que devem ser considerados. O primeiro é que 2014 encerrou-se com um déficit de 0,6% do PIB (gerando, assim, uma necessidade de ter um superávit primário de 1,8% do PIB). O segundo, é que 2015 será um ano de atividade mais fraca. O terceiro, por sua vez, é que as medidas que não precisarão passar pelo Congresso terão que ser negociadas entre os partidos.

A S&P citou em seu relatório como pontos positivos: (i) os ajustes na política fiscal e para-fiscal; (ii) a correção dos preços administrados; (iii) o ciclo de aperto monetário; (iv) e a redução das intervenções do Banco Central do Brasil (BCB) no mercado cambial via uma menor oferta de swaps. A atual classificação brasileira, assim, reflete o comprometimento da atual equipe no Ministério da Fazenda com a estabilidade econômica no médio prazo, ainda que a agência espere que a economia tenha variação negativa do PIB em 2015 (-1%), com um déficit nominal de 4,9% do PIB. De fato, a estabilidade da perspectiva do rating brasileiro reflete a expectativa da agência do apoio da presidente Dilma e do Congresso à atual política econômica. A S&P acredita que o sucesso na execução desta política ajudará a recuperar a credibilidade do governo junto aos investidores.

Os principais riscos para o não cumprimento da meta de superávit primário são: (i) que o Congresso dilua as medidas fiscais do Ministro Levy; (ii) que as negociações das demais medidas, as que não precisam do Congresso, sejam caras do ponto de vista político; (iii) e que a contração econômica reduza a arrecadação de tributos mais do que já está sendo esperado.

Em suma, se por um lado o mês foi de alívio por parte da divulgação da classificação de risco da S&P, por outro, foi de continuidade na deterioração da economia.

Internacional

Apesar de a economia global continuar apresentando assimetrias de políticas monetárias, uma nova dinâmica positiva parece estar ocorrendo na Zona do Euro e merece ser ressaltada. Não por menos, o crescimento mundial será mais pressionado pelos países desenvolvidos.

Os EUA seguem com crescimento robusto em 2015 e 2016, apresentando taxas ao redor de 3% e 2,8%, respectivamente. O mercado de trabalho, em particular, continua pujante, com uma criação de emprego ao redor dos 300 mil ao mês. Como a taxa de desemprego está em 5,5%, abaixo da meta de 6% do Banco Central Americano (Fed) e próxima à taxa de desemprego de longo prazo de 5,1%, é possível que haja menos ociosidade na oferta de trabalho e que a criação de empregos diminua. Quanto à inflação presente e futura, como ambas seguem abaixo da meta de 2% do Fed, a autoridade monetária permanece mais preocupada em manter o olhar para a atividade real. No tocante à elevação da taxa de juros – que está em patamar anormal de 0,25% - deve começar a subir no 2S15. Não apenas por conta da inflação baixa, mas, sobretudo, pelo dólar que se valorizou bastante e tirou parte da competitividade das empresas americanas.

A Zona do Euro iniciou seu programa de expansão monetária (QE - quantitative easing) em março e está tendo sucesso. A ideia é injetar na economia, entre março de 2015 e setembro de 2016, € 60 bilhões por mês. Além disso, há dois outros fatores que estão impulsionando a região. Por um lado, com o preço mais baixo do petróleo, as famílias ficaram mais ricas. Por outro lado, com o euro mais desvalorizado, as empresas da região ficaram mais competitivas e, com isso, o crédito tem aumentado. Não por menos as linhas de TLTRO (linhas de financiamento de longo prazo do Banco Central Europeu – BCE - para os bancos) tem tido mais sucesso que outrora. Somando estes fatos, a projeção de crescimento de PIB para 2015 aumentou para 1,5%.

Por fim, a China continua com crescimento a uma taxa elevada, porém abaixo da esperada pela autoridade monetária do país. Com isso, novos estímulos são esperados a fim de garantir que o PIB cresça ao redor de 7%, que é a meta do governo. A Itaú Asset Management projeta um crescimento de 6,8%, em linha com o mercado.

Em suma, apesar dos estímulos monetários diferentes no mundo, a Zona do Euro tem surpreendido positivamente.

 

Disclaimer

O Cenário Econômico Mensal é uma publicação da Itaú Asset Management. A Itaú Asset Management é o segmento do Itaú Unibanco especializado em gestão de recursos de clientes. As informações contidas nesta publicação foram produzidas dentro das condições atuais de mercado e da conjuntura e refletem uma interpretação do Itaú Unibanco, podendo ser alteradas a qualquer momento sem aviso prévio. Esta publicação possui caráter meramente informativo e não reflete oferta ou recomendação de investimento de nenhum produto específico. Para análise de produtos específicos oferecidos pelo Itaú Unibanco, consulte seu gerente para maior detalhamento e informações completas acerca de suas peculiaridades e riscos. O Itaú Unibanco não se responsabiliza por decisões de investimento tomadas com base nos dados aqui divulgados.