Análises

Cenário Econômico - Janeiro 2017

Mirella Sampaio

Economista da Itaú Asset Management

Resumo da análise:

Olá, sou Mirella Sampaio, economista da Itau Asset Management, e nos próximos minutos vou comentar o cenário macroeconômico internacional e nacional.

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Cenário Econômico - Janeiro 2017

Mirella Sampaio

Economista da Itaú Asset Management



Olá, sou Mirella Sampaio, economista da Itau Asset Management, e nos próximos minutos vou comentar o cenário macroeconômico internacional e nacional.
 

Na China, os dados econômicos divulgados ao longo das últimas semanas foram positivos, indicando a manutenção do ritmo de crescimento visto ao longo dos últimos trimestres. Tais informações não mudaram nossa projeção para o PIB chinês de 2017, que a nosso ver deverá crescer 6,3% em 2017.
 

Na Zona do Euro o principal destaque foi o anúncio de mudanças na condução da política monetária. Tais mudanças incluíram medidas que contribuem para um relaxamento das condições monetárias, mas também indicaram a redução do ritmo de compra de títulos públicos de € 80 para € 60 bilhões por mês a partir de março de 2017. A despeito dos esforços do Banco Central Europeu, as projeções seguem apontando para um cenário de crescimento moderado e inflação abaixo da meta.
 

Nos Estados Unidos, o Banco Central norte-americano elevou os níveis do corredor da taxa de juros para o intervalo entre 0,50% e 0,75% ao ano. A decisão era amplamente esperada pelo mercado, e dá prosseguimento ao processo de normalização gradual da política monetária. Caso nossas projeções se materializem, a taxa de juros do país deverá encerrar 2017 entre 1,25% e 1,50% ao ano.
 

No Brasil iniciamos o ano de 2017 com um otimismo cauteloso. Notou-se um claro progresso na agenda de medidas estruturantes, tais como a instituição de um teto de gastos, mas ainda será necessário avançar na agenda fiscal para reverter a deterioração das contas públicas. A reforma da previdência foi enviada para o Congresso, mas as incertezas quanto a duração de sua tramitação e qual será a sua forma final persistem.
 

Além disso, os impulsos necessários para uma recuperação robusta da atividade ainda não estão presentes. A combinação de alta do desemprego e contração do crédito limita o consumo das famílias, enquanto a existência de capacidade ociosa possibilita a postergação de um ciclo de investimento mais intenso. A partir dessas premissas, nossas projeções apontam para uma contração da atividade de 0,2% em 2017, a ser seguida de um crescimento de 2,5% em 2018 – acima de nosso potencial, mas ainda baixo tendo em vista o tamanho da recessão atual.
 

O aspecto positivo, se assim podemos dizer, é a contribuição desse processo para a desinflação da economia brasileira, que tem sido mais rápido do que era esperado, tanto por nós quanto pelo resto do mercado. A nosso ver, o IPCA deverá encerrar 2017 com uma expansão de 4,9%, uma taxa substancialmente inferior aos níveis registrados, tanto em 2015 quanto em 2016.
 

Temos, portanto, um cenário que justifica uma mudança no ritmo de queda da taxa de juros brasileira. Tendo em vista a ampla capacidade ociosa e o cenário de riscos balanceado para a inflação, admitimos que a taxa de juros será mais baixa no final deste ciclo do que o esperado pelo mercado, o que a nosso ver se traduzirá em uma taxa Selic de 9,0% ao ano no final de 2017.
 

Muito obrigada pela atenção e até a próxima.