Análises

Cenário Econômico - Junho 2016

Mirella Sampaio

Economista da Itaú Asset Management

Resumo da análise:

Na China, a maior parte dos indicadores econômicos mostrou-se menos favorável para a expansão da atividade do que antecipado pelo mercado...

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Cenário Econômico - Junho 2016

Mirella Sampaio

Economista da Itaú Asset Management



Na China, a maior parte dos indicadores econômicos mostrou-se menos favorável para a expansão da atividade do que antecipado pelo mercado. A nosso ver, apesar de terem frustrado as expectativas, os dados econômicos não foram ruins o suficiente para justificar uma mudança em nossas projeções, que contemplam uma desaceleração gradual da atividade ao longo de 2016.

Na Zona do Euro, o cenário econômico pouco se alterou ao longo das últimas semanas, e as incertezas relacionadas ao ambiente político seguiram em destaque. De uma forma geral, admitimos que, diante de tantas dúvidas, seja natural que a volatilidade e o foco em pesquisas de intenção de voto e de confiança dos consumidores sigam elevados, o que pode limitar a expansão da atividade do bloco.

Nos Estados Unidos, o último mês teve como principal destaque o fortalecimento da tese de que a próxima alta da taxa de juros americana está próxima. Em larga medida, essa mudança foi calcada na divulgação de dados de atividade e consumo mais promissores para o segundo trimestre. Tudo considerado, continuamos a trabalhar com duas altas da taxa de juros ao longo de 2016.

De uma forma geral, os dados econômicos divulgados ao longo das últimas semanas pouco fizeram para alterar as percepções do mercado e dos agentes econômicos em relação às perspectivas para a economia brasileira neste ano.

Em relação ao cenário fiscal, seguimos esperando uma deterioração das contas públicas neste ano e no próximo, de forma que continuamos a nos deparar com uma forte elevação da dívida pública no médio prazo.

Se pelo lado fiscal as notícias são desanimadoras, ao menos pelo lado da atividade a situação deve se revelar mais promissora. Um fator que fortalece esta tese é o comportamento dos indicadores de confiança, que buscam capturar a disposição dos agentes para contratar, investir, produzir e consumir no curto prazo. Considerando estes e outros fatores, esperamos que o PIB apresente contração real de 3,9% em 2016, com expansão marginal de 0,2% em 2017 pela mesma medida.  

Em relação à dinâmica de preços, as últimas semanas contaram com notícias importantes, que ao serem incorporadas em nossos modelos contribuíram para um aumento da inflação esperada para os próximos meses. Com isso, esperamos que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) encerre 2016 e 2017 com expansões de 7,2% e 5,3%, respectivamente.

Diante deste cenário, seguimos favorecendo a tese de que o próximo movimento da taxa de juros será de queda, quando será iniciado um ciclo de afrouxamento monetário agressivo. Em nosso entendimento, deverão ser anunciados cortes da taxa Selic ao longo do segundo semestre, com a mesma encerrando o ano de 2016 em 13,0%., e o próximo ano, 2017, em 9,5%.
 

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O Cenário Econômico Mensal é uma publicação da Itaú Asset Management. A Itaú Asset Management é o segmento do Itaú Unibanco especializado em gestão de recursos de clientes. As informações contidas nesta publicação foram produzidas dentro das condições atuais de mercado e da conjuntura e refletem uma interpretação do Itaú Unibanco, podendo ser alteradas a qualquer momento sem aviso prévio. Esta publicação possui caráter meramente informativo e não reflete oferta ou recomendação de investimento de nenhum produto específico. Para análise de produtos específicos oferecidos pelo Itaú Unibanco, consulte seu gerente para maior detalhamento e informações completas acerca de suas peculiaridades e riscos. O Itaú Unibanco não se responsabiliza por decisões de investimento tomadas com base nos dados aqui divulgados.