Análises

Cenário Econômico - Maio 2015

Cristiane Alkmin J. Schmidt

Economista da Itaú Asset Management

Resumo da análise:

Confiança dos brasileiros nunca esteve tão baixa e os estoques na indústria tão elevados

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Cenário Econômico - Maio 2015

Cristiane Alkmin J. Schmidt

Economista da Itaú Asset Management



Brasil

O cenário de estagflação não mudou no mês de abril e deve seguir assim até o final de 2015, segundo nossas estimativas. Por outro lado, no campo político, a volatilidade dos fatos e notícias é alta: ora são noticiados eventos alentadores, ora nem tanto.

De fato, a confiança dos brasileiros nunca esteve tão baixa e os estoques na indústria tão elevados. O desemprego, que antes decrescia, voltou a subir e está em 5,6%, segundo a Pesquisa Mensal de Emprego do Instituto Brasileiro de Geografia (PME-IBGE). Os empregos formais, medidos pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados do Ministério do Trabalho (CAGED), corroboram que a diminuição da população ocupada no 1T15 está ocorrendo, em especial, nos setores industrial e de construção civil, após já ter atingido o comércio. Esta é a tendência para os próximos meses, ainda que de forma menos intensa.

Os empréstimos com atraso entre 15 a 90 dias, que são um indicador antecedente de inadimplência, segundo o Banco Central (BCB), subiram para 2% em março (de 0,6% em fevereiro), atingindo o maior patamar da série histórica iniciada em março de 2011. Houve alta nas três modalidades de banco de fomento: financiamento de investimentos, capital de giro e crédito agroindustrial.

O superávit primário deve alcançar a meta anunciada em dezembro de 2015, de R$ 66 bilhões (ou de 1,13% do PIB), calculado pela série nova divulgada pelo IBGE, que, após revisão metodológica, apresentou um aumento no PIB. Se o governo desejar alcançar o valor de 1,2% do PIB prometido no início do ano, portanto, o ajuste terá que ser de algo em torno de R$ 70 bilhões. O risco é a atividade econômica: se ficar abaixo do que o governo espera, a arrecadação será menor, deixando o dito ajuste em xeque. Os números ainda não refletem o esforço que tem sido anunciado sobre o ajuste, mas estamos confiantes que o ministro da fazenda, Joaquim Levy, e sua equipe, entregarão aquilo que vêm prometendo.

Em dezembro de 2014, o déficit primário foi de 0,63% do PIB e, em março de 2015, este passou a ser de 0,70% do PIB.

A conta de transações correntes começa a se ajustar, mas os preços menores de commodities implicam em saldo comercial mais fraco e, além disso, os déficits de serviços e rendas recuaram. A balança comercial no 1T15, por sua vez, encerrou com um déficit de US$ 5,6 bilhões. Ao longo do ano, os efeitos do câmbio mais depreciado e da atividade mais lenta devem ser sentidos nas importações, levando o saldo comercial para um superávit da ordem de US$ 5 bilhões em 2015. De acordo com estimativas da Itaú Asset Management, a taxa de câmbio deve alcançar R$ 3,00 ao final de 2015 e R$ 3,20 em 2016.

Quanto à inflação, devido ao realinhamento dos preços administrados e externos, a expectativa do mercado é que deva seguir até o final do ano entre 8% e 8,5%, quando então o Índice Nacional ao Consumidor Amplo (IPCA) deve começar a ter trajetória de queda em direção à meta central de 4,5%. O mercado também espera que o IPCA cheio deverá alcançar algo ao redor de 5,5% no final de 2016 e, só em 2017, os 4,5% estabelecidos na meta. 

A Presidente Dilma Roussef segue mostrando confiança e apoio nas políticas adotadas pelo ministro Levy e este segue apresentando ajustes na economia que podem ir além do ajuste fiscal, como as medidas divulgadas sobre a privatização no setor de infraestrutura (três aeroportos, quatro rodovias e uma ferrovia).

Internacional

No plano internacional, EUA, Europa e China seguem com as mesmas tendências do mês anterior. Os EUA, apesar de terem apresentado um 1T15 mais fraco por conta do inverno mais rigoroso, seguem mostrando que devem crescer a uma taxa ao redor de 3% ao ano em 2015. Por conta do dólar mais valorizado, de uma inflação atual e esperada abaixo de 2% e da fraqueza da economia chinesa, é possível que os juros norte-americanos subam em setembro deste ano, mas há chances de que o aumento ocorra mais tarde, em dezembro ou até mesmo em 2016. A Europa, por sua vez, continua mostrando melhoras na economia no curto prazo. De fato, o programa de expansão monetária tem sido positivo, a confiança do europeu tem crescido e o PMI (Índice dos Gerentes de Compras) tem estado acima de 50 pontos, com tendência de alta (índice acima de 50 demonstra expansão da atividade). Além disso, pelo fato de o preço do petróleo manter-se baixo, a renda das famílias segue aumentando. A Grécia continua com a sua problemática junto à Troika (Banco Central Europeu, Comissão Européia e Fundo Monetário Internacional). É possível que um acordo esteja para ocorrer no mês que vem, quando o governo poderá ficar sem dinheiro para pagar as suas contas.

Por fim, a China tem seguido com uma política de estímulos fiscais, monetários e creditícios para não deixar a economia desacelerar mais do que o governo gostaria. Desta forma, espera-se que o crescimento fique abaixo da meta estimada para 2015, ao redor de 7%.

Disclaimer

O Cenário Econômico Mensal é uma publicação da Itaú Asset Management. A Itaú Asset Management é o segmento do Itaú Unibanco especializado em gestão de recursos de clientes. As informações contidas nesta publicação foram produzidas dentro das condições atuais de mercado e da conjuntura e refletem uma interpretação do Itaú Unibanco, podendo ser alteradas a qualquer momento sem aviso prévio. Esta publicação possui caráter meramente informativo e não reflete oferta ou recomendação de investimento de nenhum produto específico. Para análise de produtos específicos oferecidos pelo Itaú Unibanco, consulte seu gerente para maior detalhamento e informações completas acerca de suas peculiaridades e riscos. O Itaú Unibanco não se responsabiliza por decisões de investimento tomadas com base nos dados aqui divulgados.