Análises

Cenário Econômico - Dezembro 2016

Mirella Sampaio

Economista da Itaú Asset Management

Resumo da análise:

Na China, os dados econômicos divulgados ao longo das últimas semanas foram mistos. Ainda

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Cenário Econômico - Dezembro 2016

Mirella Sampaio

Economista da Itaú Asset Management



Na China, os dados econômicos divulgados ao longo das últimas semanas foram mistos. Ainda assim, tudo indica que o ritmo de crescimento do país será consistente com as metas oficiais do governo. Dessa forma, mantemos nossas projeções para o crescimento chinês antevendo expansões de 6,7% e 6,3% para 2016 e 2017, respectivamente.

Na Zona do Euro, a recuperação econômica do bloco tem sido lenta e não existem sinais claros de aceleração da inflação. Em nosso entendimento, poderão ser anunciadas medidas com viés mais acomodatício para a política monetária ao longo dos próximos meses, mas, ainda assim, o cenário permanecerá desafiador para os próximos anos.

Nos Estados Unidos, todas as atenções se voltaram para o surpreendente resultado da eleição presidencial norte-americana. A nosso ver, ainda há muita incerteza quanto aos rumos na condução das políticas fiscal e externa. Ainda assim, por ora, seguimos confortáveis com nossa tese de elevação gradual da taxa de juros pelo Banco Central norte-americano (Federal Reserve) ao longo dos próximos anos.

Em muitos sentidos, podemos dizer que os últimos meses trouxeram boas notícias para o Brasil. Ainda assim, diante de importantes desafios associados tanto ao cenário doméstico, quanto ao cenário internacional, também identificamos fontes relevantes de incerteza, que exigem cautela tanto por parte dos analistas, quanto dos investidores. De fato, são vários os indicativos de que recuperação da nossa economia será bastante lenta e moderada.

Tudo considerado, esperamos que a atividade contraia 3,7% em 2016, e apresente uma expansão moderada de 0,2% em 2017. De acordo com nossas projeções, os próximos trimestres pavimentarão o caminho para uma expansão mais robusta da atividade a partir de 2018, quando a recuperação cíclica levará o país a crescer mais que o seu potencial.

Do ponto de vista da inflação, a desaceleração do ritmo de alta dos preços surpreendeu positivamente, se revelando mais intensa do que a esperada pelo mercado ao longo das últimas semanas. Um dos principais fatores por trás desta desaceleração foi a variação do componente de alimentação domiciliar, mas, ainda assim, a melhora não se limitou ao mesmo. Tudo considerado, esperamos que o IPCA apresente expansões de cerca de 6,5% em 2016 e 5,0% em 2017.

Diante do progresso no combate à inflação e de perspectivas favoráveis em respeito à condução da política fiscal, o Banco Central do Brasil anunciou em novembro o segundo corte consecutivo da taxa de juros, levando a taxa Selic para 13,75% ao ano.

A nosso ver, a decisão sobre uma possível aceleração do corte de juros diz mais respeito ao momento no qual a mesma se dará do que ao mérito. Tudo considerado, esperamos que um corte mais expressivo, de 50 pontos base, seja anunciado na reunião de janeiro, quando a Selic atingiria 13,25% ao ano. Caso nossas projeções se concretizem, a taxa Selic deverá encerrar 2017 em 9,75% e o próximo ano, 2018, em 9,0%.