Análises

Cenário Econômico - Julho 2016

Mirella Sampaio

Economista da Itaú Asset Management

Resumo da análise:

No cenário internacional o principal destaque das últimas semanas foi o resultado do referendo realizado no Reino Unido...

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Cenário Econômico - Julho 2016

Mirella Sampaio

Economista da Itaú Asset Management



No cenário internacional o principal destaque das últimas semanas foi o resultado do referendo realizado no Reino Unido, no qual 52% dos eleitores apoiaram a saída da chamada União Europeia.  Ainda é cedo para estimar quais serão os reais impactos desta decisão, mas esperamos que o ambiente de elevada incerteza afete negativamente a confiança e atividade dos países europeus de uma forma geral.


Nos Estados Unidos, com a divulgação de dados mais fracos do que o antecipado relativo ao mercado de trabalho, a tese de alta iminente da taxa de juros norte-americana perdeu força. No entanto, apesar da baixa geração líquida de postos de trabalho, outros indicadores de atividade seguem apontando para um crescimento econômico próximo do potencial norte-americano. Desta forma, mantemos nossa projeção de elevação da taxa de juros norte-americana ainda este ano.


Na China, as últimas semanas pouco adicionaram em termos de novas informações, de modo que a desaceleração da economia permanece como um risco a ser monitorado.


Em relação ao Brasil, iniciamos o segundo semestre de 2016 com a economia brasileira em uma situação ainda bastante desafiadora. A nosso ver os próximos trimestres ainda deverão contemplar quedas tanto para o consumo das famílias quanto para os investimentos. Com isso, a economia brasileira deverá registrar uma contração de 3,5% neste ano, 2016, a ser seguida de uma tímida expansão de 0,2% em 2016.


Para que fosse vista uma recuperação mais célere da economia, seria necessária uma redução adicional das dúvidas relacionadas aos rumos da política econômica, em especial da política fiscal. De fato, o conjunto de reformas que tem sido apresentado pelos integrantes da equipe econômica representa um passo na direção correta, mas ainda não será suficiente para reverter a atual tendência de elevação da dívida pública. Para tanto, seria preciso não só a redução da rigidez orçamentária e a revisão dos gastos públicos, como também um aumento da carga tributária.


No que diz respeito à inflação, os níveis correntes seguem elevados mas já são claros os sinais de gradual desaceleração dos preços. Levando em conta o conjunto de informações disponíveis até o momento, esperamos que o IPCA encerre 2016 e 2017 com altas de 7,3% e 5,0%, respectivamente. Vale lembrar que esta dinâmica não mostra a desejada convergência para o centro da meta de 4,5%, objetivo perseguido pelo Banco Central do Brasil (BCB) (no dito horizonte).


Por ora, a ausência desta convergência tem sido citada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) como um dos motivos para a manutenção da taxa Selic-Meta em 14,25% ao ano. Em nosso entendimento, esta é a estratégia correta neste momento, mas existem razões para esperar que tal viés seja reavaliado ainda este ano. Tudo considerado, vislumbramos uma (temos em nosso cenário base um) trajetória que contempla um ciclo total cortes da taxa Selic de 475 pontos base (na taxa básica de juros), encerrando a mesma o ano de 2016 (este ano) em 13,25%, e o próximo ano, 2017, em 9,50% ao ano.

Disclaimer

O Cenário Econômico Mensal é uma publicação da Itaú Asset Management. A Itaú Asset Management é o segmento do Itaú Unibanco especializado em gestão de recursos de clientes. As informações contidas nesta publicação foram produzidas dentro das condições atuais de mercado e da conjuntura e refletem uma interpretação do Itaú Unibanco, podendo ser alteradas a qualquer momento sem aviso prévio. Esta publicação possui caráter meramente informativo e não reflete oferta ou recomendação de investimento de nenhum produto específico. Para análise de produtos específicos oferecidos pelo Itaú Unibanco, consulte seu gerente para maior detalhamento e informações completas acerca de suas peculiaridades e riscos. O Itaú Unibanco não se responsabiliza por decisões de investimento tomadas com base nos dados aqui divulgados.